No dia 28/12/2007 fui à beira do lago Paranoá, perto da Ponte do Bragueto no final da Asa Norte (entre a boca de lobo da Caesb e a área de pesquisa da Unb), e plantei o início do meu projeto de "mãozinha" ao planeta. A idéia: as pessoas tiram tudo que precisam da natureza; serei um cara que ajuda o verde em retribuição.
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Talvez as árvores precisem apenas de alguém que as ajude a espalhar suas sementes. Farei isso, serei uma espécie de
Plantador Maluco, enterrando aleatoreamente sementes na margem do lago para criar um bosque caótico e natural. Eu o apelidei de bosque de Aknaton, depois de bosque de Tiauhanaco, até com meu próprio nome vislumbrei o lugar daqui há séculos (hehehe). Contudo, não o nomeei. Deixo para a melhor ocasião.

Pesquisei o lugar baseado em observações "in loco" e informações do conhecido oráculo
google . Descobri fatos interessantes! O lago foi infestado por
Mexilhões Dourados, uma espécie chinesa que invadiu as bacias hidrográficas do mundo pois não tem predadores naturais. O lago também está infestado de
escargots (
isso mesmo), conhecidos como
caramujos africanos. Na década de oitenta, muitos criadores que vendiam o bicho, exportando para a Europa, resolveram se desfazer dos negócios pois o lucro tava baixo. Soltaram as feras nos quintais de casa. Os caramujos estão devorando tudo desde então.

Nas margens do lago já encontrei umas crianças com mais de 350 gramas.

Há muito tempo observo garças, patos selvagens, quero-queros, ben-te-vis, corujas e outras dezenas de aves utilizando o lago como habitat, caçando comida às margens, pescando e até beliscando algum caramujo que descobrem no meio das folhagens. Pensei em unir todas as espécies no mesmo lugar, no bosque.
Com algumas árvores frutíferas e de proteção, palmeiras e arbustos na margem do Paranoá, o ambiente se transformaria. Os frutas cairiam nas águas e os peixes os comeriam. As aves frenquentariam o local, tanto por causa dos frutos e das árvores para ninhos quanto para comer os peixes que se aglomerariam ali.

Os restos de frutos e peixes, juntamente com a vegetação, acumulados e apodrecidos, atrairiam os caramujos, que se reproduzem velozmente quando há alimento abundante. Eles se tornariam a base da cadeia alimentar do habitat, do bosque, juntamente com os mexilhões. É verdade que estes não têm predadores naturais, mas não quer dizer que os pássaros não os adorem como petisco. É difícil abrí-los, só isso.


O bosque ofereceria sombra, segurança e alimento, tanto para as aves quanto para os peixes. O local ficaria propício ao crescimento dos caramujos, além de já estar lotado de mexilhões, ambos
laricas irresistíveis dos pássaros (que já perambulam por toda a cidade). Seria um santuário anárquico e livre.
Para concretizar essa maluquice só é necessário água (tem de monte), terra boa (é ótima), espaço (ninguém pode cercar o lago) e, por fim, algum doido que se proponha a cumprir esta difícil tarefa de "plantar sementes".

Este sou eu. Será que vai funcionar?
No dia 28/12 plantei 250 sementes entre araticum, jabuticaba, lichia, laranja, limão, pingo d´ouro, flamboyant e outras que encontro pelas árvores da cidade. Aliás, sabiam que a semente é composta por oxigênio e silício, a mesma estrutura da memória RAM dos computadores? Talvez a semente seja a memória instintiva da natureza, um programa genético-biológico alienígena para adaptação do ambiente. hehehe! Adoro ficção científica!
Voltei na semana seguinte, no domingo, e plantei mais 450 sementes, entre flamboyant, siriguela, acerola, pitanga, manga, goiaba e outras que estavam guardadas nos bolsos durante minhas caminhadas pelas ruas candangas. Vi que, da semana anterior, apenas umas 20 sementes já haviam brotado.
Será que vai dar certo? Tomara, pois não não vou desistir.